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Saiba absolutamente tudo sobre o novo smartphone da Motorola, o Moto G4.

Moto G4

A Lenovo revelou nesta terça-feira, 17, em evento realizado em São Paulo, os primeiros smartphones da Motorola após a marca ter sido abandonada e substituída por apenas “Moto by Lenovo”. Trata-se do novo Moto G, modelo intermediário da empresa que chega em três versões diferentes, com novo design e preço maior.

Seguindo a estratégia da linha Moto X, a Lenovo transformou o Moto G deste ano em uma família com diferentes modelos, lançados ao mesmo tempo: o Moto G4, o Moto G4 Plus e o Moto G4 Play.

O primeiro tem tela de 5,5 polegadas Full HD (1080 x 1920 pixels), 16GB de espaço interno (expansível até 128GB com microSD), processador octa-core Snapdragon 617 de 1,7 GHz, 2GB de memória RAM e bateria de 3.000 mAh com um carregador mais rápido de 10 watts e sistema dual chip inteligente. Tudo isso por R$ 1.299.

Já o modelo Plus vem com as mesmas características, exceto pelo armazenamento interno que chega a 32GB e a memória RAM de 3GB. Além disso, o aparelho vem com um sensor de impressão digital localizado na parte inferior da tela. Os botões capacitivos, porém, continuam digitais, e não físicos como rumores recentes apontavam. O preço dessa versão é de R$ 1.499.

Por fim, o Moto G4 Play é o “irmão caçula” da família. A tela é de 5 polegadas HD e câmera traseira de 8MP. O processador é um quad-core, a memória RAM é de 2GB e o espaço interno também tem 16GB expansíveis. A Lenovo não revelou o preço do aparelho, que só chega às lojas em agosto, mas já adiantou que sairá por menos de R$ 1 mil.

O Moto G4 mais simples possui também uma câmera traseira de 13MP, enquanto o Moto G4 Plus tem uma de 16MP, foco a laser e recursos profissionais, como ajuste de ISO. Segundo a Lenovo, a câmera é comparável à do iPhone 6s.

Todos eles vêm com uma câmera frontal de 5MP e o já tradicional Android quase puro da marca, saindo de fábrica na versão 6.0 Marshmallow. Com exceção do Moto G Play, os aparelhos já estão disponíveis na loja virtual customizável Moto Maker em oito cores diferentes.

Moto G4 Plus tem câmera tão boa quanto a do iPhone 6S Plus

Câmera Moto G4

Em análise do site especializado em imagem e fotografia DxOMark, o Moto G4 Plus obteve a mesma pontuação do iPhone 6S Plus, que sai a partir de R$ 4.299 para a versão 16GB e pode chegar até R$ 4.899 no modelo com 128GB, quando o quesito analisado foi a câmera presente nos telefones.

Os 84 pontos conquistados pela dupla mostram que o Moto G4 possui algumas especificações técnicas que podem incomodar até mesmo os celulares top de linha. Vale destacar que a câmera do smartphone norte-americano é de 12 MP, enquanto do Moto G é de 16 MP com foco à laser. É importante lembrar que esse não é o único critério utilizado para avaliar a qualidade do componente.

Além do produto da Apple, o lançamento da Lenovo também superou o LG G4 (83 pontos), e os smartphones Samsung Galaxy S5 e Sony Xperia Z5 (79 pontos). Os líderes do ranking são HTC 10 e Samsung Galaxy s7 Edge, ambos conquistaram 88 pontos.

Entre os principais aspectos que fizeram com que o smartphone fosse elogiado pela página estão a qualidade das fotografias registradas em ambientes externos com o modo HDR ativado e a exposição do brilho em situações de pouca luz. Segundo o portal, o Moto G4 se comporta de forma satisfatória em locais mal iluminados. Ele também marcou pontos nos quesitos de exposição e contraste, onde conseguiu 4,4 pontos de 5 possíveis. Já as cores capturadas foram avaliadas com 4,5 pontos, também de 5 possíveis, em imagens registradas de dia.

Ao final, o smartphone registrou 85 pontos no quesito nas avaliações de foto e 81 nos quesitos que questionam a capacidade do celular para a gravação de vídeos. A média do site, então, permaneceu em 84 pontos de acordo com os critérios adotados pela página.

Primeiras impressões

Moto G4

Uma coisa é certa: o Moto G não é mais o mesmo. O smartphone que surgiu no Brasil arrebatando listas de mais vendidos e mais procurados em todo o mercado há quatro anos, por sua boa performance e baixo preço, hoje mira em um outro público e tem uma nova proposta.

No evento de lançamento da “família” Moto G4 – Moto G, Moto G Plus e Moto G Play – ficou claro que a estratégia da Lenovo é transformar o aparelho, que antes era um intermediário de baixo custo, num produto da faixa premium anteriormente ocupado pelo top de linha Moto X. Pelo menos em termos de preço e posicionamento no mercado, essa é a mensagem que o anúncio passa.

Já em termos de desempenho, deixando de lado as estratégias comerciais da fabricante que não interessam ao consumidor final, o novo Moto G também parece superar o que as gerações anteriores conseguiram realizar. Pelo menos foi o que constatamos em nossas primeiras experiências com as três versões em mãos, que você confere abaixo.

Moto G4

Moto G4

O carro-chefe da nova linha de smartphones com a marca Moto parece ser o melhor dos três. Mais fino do que os antecessores, o aparelho preserva as qualidades do design que a linha sempre teve, mas com um toque a mais de sofisticação, especialmente nas bordas curvas da parte traseira e nas laterais metalizadas.

Com processador Snapdragon 617 e 2GB de RAM, o Android 6.0 Marshmallow quase puro instalado no modelo que testamos roda rapidamente, sem sinal de travamentos. O que se destaca, porém, é a tela de 5,5 polegadas e resolução Full HD (1080 x 1920 pixels), com tecnologia IPS LCD. A imagem não chega a ser tão cristalina quanto a de um display AMOLED, por exemplo, mas a melhoria em relação à geração passada é nítida.

A câmera do dispositivo também supera expectativas, dado o histórico recente do Moto G. O sensor traseiro tem 13MP e abertura de f/2.0 com um sistema de flash LED duplo. O software, por sua vez, equilibra as cores captadas com o uso do flash e ainda vem cheio de recursos profissionais interessantes, como ajuste manual de ISO.

Apenas o ajuste automático do foco na imagem permanece um ponto a ser melhorado, ainda um pouco lento. Do mesmo modo, a resolução de 5MP na câmera frontal registra selfies de qualidade questionável, dependendo do ambiente. Por outro lado, a lente de ângulo mais aberto permite capturar mais área de imagem, ideal para fotos em grupos, sem precisar do famigerado “pau de selfie”.

Moto G4 Plus

Moto G4 Plus

Embora seja o modelo mais caro e de mais alta performance entre os novos anúncios, o Moto G4 Plus peca em algumas escolhas de design. Segundo a Lenovo, trata-se do smartphone mais fino já fabricado pela empresa, e considerando as 5,5 polegadas de tela Full HD, o dispositivo fica um pouco “inseguro” na mão do usuário, mal equilibrado e dando a constante impressão de que pode escorregar e cair da sua mão a qualquer momento.

A Lenovo também incluiu um sensor de impressões digitais, logo abaixo da tela. O quadrado ressaltado na parte da frente do aparelho, logo abaixo da tela, é um pouco incômodo esteticamente, e sua presença ali pode não convencer aquele usuário que não se preocupa tanto com questões de segurança. De um modo geral, as mudanças no design acabam aí.

Desempenho, como era de se esperar em um processador octa-core de 1,7 GHz com 4GB de memória RAM, não deixou a desejar nesses primeiros testes. O que se destaca, novamente, é a câmera, insistentemente comparada pela Lenovo com a câmera do iPhone 6s. De fato, o sensor de 16MP, foco a laser e abertura de f/2.0 é um dos melhores que a empresa já produziu, captando imagens rápidas e de alta qualidade, mesmo em diferentes condições de iluminação e movimento.

Moto G4 Play

Moto G4 Play

O caçula da família Moto G só chega ao mercado em agosto e, portanto, pouco sobre o aparelho foi mostrado no evento desta terça. O que se sabe é que ele tem configurações um pouco mais modestas – a tela, por exemplo, é de 5 polegadas – e deve ser vendido com um preço sugerido abaixo de R$ 1 mil.

Se for esse mesmo o caso, o Moto G4 Play deve ser o único modelo da nova safra que realmente parece vir da mesma “linhagem” que os antecessores, apostando num público consumidor de entrada. Em termos de design, as linhas são mais parecidas com os modelos das últimas gerações do Moto G do que os novos aparelhos.

E isso foi tudo o que pudemos ver do aparelho: o software estava bloqueado para os jornalistas durante a demonstração. Portanto, não pudemos conferir câmera, especificações, desempenho ou qualquer outro detalhe.

Outros recursos
A Lenovo também prometeu uma bateria mais longa nos três modelos – 3.000 mAh no Moto G4 e G4 Plus, 2.800 mAh no Play -, assim como um sistema de carregamento mais ágil – carregador de 10 watts no G4 e G4 Play, 15 watts no G4 Plus. Para comprovar este quesito, porém, é preciso avaliar de forma completa cada aparelho.

Outros recursos foram demonstrados, como o sistema Dual Chip inteligente dos novos aparelhos. Segundo a Lenovo, o smartphone agora escolha qual cartão SIM usar de acordo com a operadora do contato. Por exemplo: se você ligar para um amigo que usa chip da Claro, o sistema seleciona o chip da Claro que há no seu dispositivo para fazer a chamada automaticamente.

Caso você esteja ligando para um número de uma operadora diferente da que você usa, o sistema escolhe o mesmo chip que você sempre seleciona em ligações para essa pessoa, baseando-se em seu histórico. Além disso, o Moto G4 vem com TV digital integrada (não é opcional) que funciona com uma antena externa flexível.

As três novas versões do Moto G já estão disponíveis para a compra nas lojas da Motorola e na loja virtual Moto Maker, que permite ao usuário escolher detalhes do design do seu produto, incluindo uma das oito cores à disposição. O Moto G4 sai por R$ 1.299 e o G4 Plus por R$ 1.499.

E a concorrência?

Concorrência
A “família” Moto G chega forte para competir no mercado. Mas é bom ficar de olho também na concorrência. Entre os principais rivais do modelo, destacam-se aparelhos de empresas como Asus, LG, Samsung, Sony e até da própria Lenovo. Confira a lista abaixo com os principais modelos nesta faixa de preço:

Asus Zenfone 2
Asus Zenfone 2
O Zenfone 2 é um dos queridinhos do público que busca um smartphone competente sem precisar gastar milhares de reais por um aparelho. Ele conta com processador Intel Atom quad-core de 1,8 GHz e tela de 5,5 polegadas, além de 4 GB de RAM. A câmera é também de 13 MP. Ele sai a partir de R$ 1.349.

Lenovo Vibe A7010
Lenovo Vibe A7010
O grande destaque do Vibe A7010 é o sensor de impressão digital. O hardware é um pouco mais fraco do que o lançamento desta terça-feira, já que o processador é octa-core de 1.3 GHz com chipset MediaTek MT6753 Cortex-A53. A memória RAM, por sua vez, é de 2 GB. A câmera traseira também tem 13 MP como os outros. O preço sugerido do aparelho é de R$ 1.399.

Samsung Galaxy J7
Lenovo Vibe A7010
Apresentado em 2015, o J7 chegou ao Brasil como uma forma da Samsung competir no mercado de intermediários. O modelo conta com tela de 5,5 polegadas e resolução 1280 x 720. O processador escolhido pela sul-coreana é um Exynos octa-core de 1,5 GHz e 1,5 GB de memória RAM. A câmera principal tem 13 MP. O preço do smartphone é de R$ 1.499.

Sony Xperia M4 Aqua
Sony Xperia M4 Aqua
É bem verdade que esse modelo tem o preço um pouco mais salgado do que o produto da Lenovo. No entanto, as características técnicas podem ser comparadas. O Xperia M4 Aqua é a prova d’água, tem câmera de 13 MP e processador Octa-core Snapdragon 615 de 64 bits, sendo formado por dois componentes quad-core de 1,5 GHz e 1,0 GHz) com memória RAM de 2 GB. A tela é de apenas 5 polegadas com resolução de 1280 x 720 pixels, O preço sugerido do aparelho é de R$ 1.599.

LG K10
LG K10
Quem busca um aparelho mais em conta pode optar pelo modelo da LG. O modelo chegou ao mercado com tela de 5,3 polegadas e resolução de 1280 x 720 pixels. Ele conta com processador MediaTek MT6753 / ARM Cortex-A53 octa-core de 1,1 GHz e memória RAM é de 1 GB. A câmera principal tem 13 MP, enquanto a traseira se destaca pelos 8 MP. O produto também pode contar ou não com TV digital. Os preços sugeridos para os aparelhos partem de R$ 1.149 (sem o recurso de TV) e R$ 1.199 (com TV).

Qual o rumo que a Motorola quer levar a linha Moto G?

Concorrência

A linha se notabilizou nos últimos anos por liderar o mercado brasileiro, sendo o modelo mais procurado e o mais comprado por boa parte do público nacional. Desde 2013, os aparelhos caíram no gosto do usuário e transformaram o Brasil no principal mercado para a Motorola, tornando o país sempre o foco de apresentações de novos produtos. Foram 16 milhões de unidades vendidas no país de lá para cá.

Infelizmente a empresa perdeu o rumo.

Começou no ano passado, com o Moto G3. Não dá para discutir: o aparelho apresentou uma evolução técnica e estética muito grande em comparação com o modelo do ano anterior. A câmera também deu um grande salto de qualidade, mas também houve um salto de preço. A mesma tendência se repetiu em 2016, com a chegada da quarta geração do aparelho: avanços técnicos e aumento de preço.

O primeiro Moto G custava entre R$ 600 e R$ 700. Foi uma revolução na época, em que as pessoas ostentavam modelos de tela pequena e qualidade duvidosa como o Galaxy Y. A tela HD de 4,5 polegadas e um processador mais decente como o Snapdragon 400, de quatro núcleos, foram coisas nunca vistas até então, e deu à Motorola a liderança justa do mercado brasileiro.

Avançando três anos no futuro, a Motorola não é mais uma empresa, e virou apenas uma marca da Lenovo. O quarto Moto G custa basicamente o dobro de seu primeiro antecessor. O modelo padrão (nem o Plus, nem o Play) custa R$ 1,3 mil, que é basicamente o duas vezes o custo daquela primeira versão tão bem-sucedida. Fica difícil acreditar que a empresa conseguirá repetir o sucesso do passado.

Claro que sabemos que o problema não é só com a Motorola. A situação do país não está ajudando; dólar alto encarece a produção, reduzindo a margem de lucros e dificulta a remessa de dinheiro para a sede no exterior. Os impostos também não facilitam, e o fim da Lei do Bem, que isentava os lojistas do PIS/Cofins, colabora para o encarecimento.

Isso dito, ainda há empresas que são capazes de seguir o caminho do antigo Moto G, e oferecer aparelhos que conseguem disfarçar bem suas limitações técnicas e oferecer um bom preço. É o caso dos Zenfones, da Asus; do Redmi 2 Pro, da Xiaomi, e até a Samsung, que antigamente penava na divisão de intermediários, já está em uma situação mais favorável. A prova disso é que o Galaxy J5 assumiu a ponta de smartphones mais procurados no ranking do site de comparação de preços Zoom.

A constatação triste é a de que a Motorola (ou melhor, a Lenovo) perdeu o fio da meada do Moto G. As apostas em evolução tecnológica e estética resultaram em produtos melhores, de fato, mas que perderam o lugar no mercado como a referência maior de custo-benefício. Hoje, o smartphone é mais um aparelho no limbo dos intermediários na faixa próxima dos R$ 1,5 mil.